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'Impossível não ficar abalado com tudo que aconteceu', revela Deijair


Passadas mais de 48 horas, o goleiro Deijair ainda segue muito abalado com o ato de racismo sofrido no último sábado (18) já no final da partida contra a Aparecidense, no estádio Aníbal Toledo, pela terceira rodada da Série D. Na ocasião, um torcedor da equipe goiana, identificado pela Polícia Militar e levado em seguida à delegacia, chamou o goleiro da Juazeirense de “nego fedido e nego fedorento”.

O caso aconteceu logo após a expulsão do atacante Jeam. “Jeam foi expulso, aí nós que estávamos no banco levantamos para falar com o quarto árbitro. Foi aí que alguns torcedores começaram a se manifestar. Quando fomos sentar, teve um torcedor que gritou: “Vá sentar seu nego fedido, fuleiro... Seu nego fedorento. São palavras que ficam na cabeça e não tem como não ficar abalado com tudo que aconteceu”, relata.

Além do ato de racismo, Deijair teve que conviver com o descaso por parte de um agente policial da delegacia próxima ao estádio, onde tentou registrar o Boletim de ocorrência logo após o jogo. “É um sentimento de revolta também pela forma como a situação foi conduzida na delegacia.  O agente me informou que não daria em nada, que já tinham ocorrido outros casos esse, que eu ia perder tempo, ia demorar lá e não ia dar em nada”, revela o goleiro, que acompanhado do supervisor de futebol do Cancão, Rodrigo Góes, vai prestar queixa numa delegacia de Juazeiro nesta terça-feira (21).

“Não sei como vai ser tratado, mas não posso deixar isso impune. Eu já tinha visto atos de racismo pela televisão, você fica chateado, mas é diferente quando o discriminado é você. Não é normal uma pessoa chamar a outra de nego fuleiro. Tudo que um atleta passa para estar ali, e no seu ambiente de trabalho ser agredido com palavras assim... É revoltante”, desabafa.  O goleiro também fará uma denúncia no Ministério Público.